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terça-feira, junho 20, 2017

Reserva

A minha partida do seu abraço foi brusca. Mas não tanto quanto a sua mudança de postura diante dos meus primeiros sinais de entrega. É verdade que você foi o primeiro a fazer pequenos planos, a usar a palavra 'amor' e a falar de mim pra sua mãe. Foi você quem me disse pra parar de buscar confirmação de que era isso mesmo: você me queria ali um pouco ou muito mais. Você pediu licença para entrar, e me lembrou de como é valioso se permitir viver as coisas. Sentir sem medir cada consequência. Me falou pra não ter medo. E isso era o que eu mais gostava em nós: o sentir. As vontades não reprimidas. A intensidade transbordando e a gente deixando entornar. Então, quando você fez isso parar... Quando você deu voz ao seu medo e fechou as portas e algumas janelas pra nós, algo em mim desmoronou. Olha, esse texto é sobre mim, não sobre você, porque o medo que eu carrego chegou muito antes de você. O medo que eu carrego vem de todas as vezes em que eu quis me entregar pra alguém, e esse alguém educadamente balançou a cabeça e com um gesto de mão deixou a entender que na verdade, verdade mesmo, não me queria tanto assim. Ele vem de todas as vezes em que me disseram 'calma' quando tudo o que eu estava tentando fazer era amar. Como se desse pra ofender alguém amando demais (Dá?). E eu fui embora de você porque eu estou exausta. Exausta de ter que pedir licença a cada passo que eu dou na direção do outro. Cansada de viver as coisas pela metade. De sentir as pessoas pela metade - e eu te gostava tanto por ser tão inteiro. É que eu nasci pra amar, sim, mas eu não tenho força pra colecionar decepções sem perder a fé no amor. Porque eu ainda me sinto inteira pra amar sem medo. Mas não me parece muito longe o ponto da virada. Eu já não tenho muitas fichas pra queimar. E eu não quero desacreditar. Quando chegar algo verdadeiro eu não quero jogar por água abaixo por estar danificada, submersa em dúvidas, inseguranças. Porque é devastador amar tanto e ao mesmo tempo ter tanta dúvida do outro. O desespero me faz rezar pra um Deus que eu nem sei mesmo se está lá, implorando pra ele mandar logo aquela pessoa que foi feita só pra mim, mesmo sem acreditar que esse alguém sequer exista.
Enquanto isso, há uma parte de mim que eu estou reservando pra me manter forte.

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

A coisa mais linda que tive

Acordar juntos. Jantar com a sua família. Passar a tarde na piscina. Cozinhar juntos. Cozinhar pra você. Ver você comer tudo e falar que tá uma delícia. Voltar de uma festa e comer cachorro quente. Andar de mãos dadas. Ter companhia pra tomar qualquer sorvete. Dormir de conchinha. Tirar uma soneca juntos de tarde. Ver o mesmo episódio de friends ou tbbt pela milésima vez. Trocar gifs fofos de bichinhos ou imagens engraçadas. Rir dos seus palavrões. Fazer graça do seu excesso de confiança. Fazer amor com você. Fazer sexo com você. Dançar pra você. Colocar uma música e ouvir do seu lado. Te ouvir contar suas histórias. Ser sua amiga. Ser amiga dos seus pais. Ser amiga dos seus amigos. Falar de você o tempo todo quando não estou com você. Cuidar de você quando você está doente. Buscar remédio na sua ressaca. Te beijar intensamente no meio de uma festa. Comer besteira juntos. Te mostrar orgulhosamente meus músculos de quem tá malhando há uma semana. Procrastinar os estudos pra ficarmos à toa. Ver o vídeo novo do 'porta dos fundos'. Rir das histórias do seu pai. Discutir coisas polêmicas. Falar mal de pessoas rasas. Esperar você ficar bêbado pra conseguir que você dance comigo. Rir do seu palavreado. Comer pizza customizada porque é bom e barato. Ouvir suas músicas ruins. Viajar ouvindo Capital. Viajar ouvindo a sua seleção de músicas. Achar que você é todo meu. Chegar de viagem e ter você me esperando. Ser feliz todos os dias por ter você. Por querer você. Por amar você. Querer tudo isso indefinidamente. Querer fazer planos sobre nós.
Tudo isso é o que vai me doer dia após dia.
Tudo isso é o que me fez chegar até onde eu cheguei, esperando sempre um pouco mais. Eu te amei tanto que eu não me importei que você bebesse além da conta, que você fosse desbocado, ou com os defeitos que você tem. Eu te amei tanto que eu fui feliz apesar disso. E fui até o final. (...)

terça-feira, janeiro 31, 2017

Posso?



Terça-feira, 23 de junho de 2012
 Me desculpa a frase vulgar e pouco original, mas eu quero te conhecer, posso? Me deixa te pagar uma bebida, mas dessas que têm a dose generosa, pra que eu possa ouvir mais tempo sobre você. Mas não me leve a mal. Eu não estou aqui porque o bolso da sua calça denuncia que você pagou muito caro por ela, ou porque seus olhos são os mais lindos desse lugar. Eu estou aqui porque você tem esse ombro curvado de quem pede desculpas por algo, de quem lamenta pela vida, de quem se sente indignado. Estou aqui porque seus olhos azuis acinzentados - difícil definir com essa luz inquieta - se fecham quando você dança. Porque seus olhos não procuram um corpo atraente pra se ajuntar. E eu quero te conhecer, sim. Mas eu não quero saber qual curso você faz, nem qual seu restaurante preferido. Eu quero saber qual a primeira palavra que você disse, e do que você tem mais medo nessa vida. Eu não quero saber quantos anos você tem, nem a cidade em que você nasceu. Eu quero saber se você tinha um balanço no quintal da sua casa, e o que você pensa de pessoas que tiram a própria vida. Eu não quero saber seu endereço, nem o número do seu telefone. Eu quero saber em quem você pensa quando tudo parece meio fora do lugar, o que te tira o apetite e o que te causa calafrios. Eu quero saber quem foi a primeira pessoa que te decepcionou, e o que você acha da morte e da vida. Eu quero saber se você dorme de costas ou de barriga pra baixo e se suas mãos suam quando está nervoso. Eu quero saber se você sai e sorri quando está triste ou se você se esconde. Eu quero saber o que te emudece, e o que te faz ficar sem ar. Eu quero saber se você gosta de café forte ou de sobremesa. Eu quero saber se você fecha os olhos ou se canta alto quando ouve sua banda predileta. Eu quero saber se você segura pelas mãos pensando em nunca deixar partir. E não tem como eu saber nada disso te vendo dançar aqui de longe, ou vigiando suas redes sociais. E é por isso que eu estou aqui, te pedindo: por favor, me deixa te conhecer. Posso?

sábado, janeiro 14, 2017

"[...] E eu não gosto muito desses sonhos que nos parecem tão reais, porque trazem à tona sentimentos que já estavam acomodados. E a gente acredita tanto, e por um momento parece ser tão verdade, que o peito dói como se tudo tivesse acontecido ontem. Hoje, enquanto eu caminhava e me lembrava do que aconteceu, eu pensei que talvez essa dor e esse sonho sejam um bom sinal. Finalmente você está desocupando a minha consciência para só ter lugar no meu subconsciente. E isso vai ser apenas por um tempo. Daqui a pouco você não vai mais estar presente no meu dia-a-dia, como o tem sido: vai ser lembrança. E depois de mais um tempo eu vou me esquecer de lembrar e, apenas um dia ou outro, alguma música ou um cheiro vai me lembrar de você. E, no início, eu vou saber que é de você, mas vai chegar o tempo que eu não saberei mais dizer do que eu sinto nostalgia. E vai se passar mais algum tempo até que outros cheiros e outras músicas me façam lembrar de outros momentos bons e de outras pessoas.
E até que tudo isso fique  impregnado única e simplesmente nestas palavras que aqui estou deixando como prova. [...]"


terça-feira, dezembro 06, 2016

Silêncio

Outubro, 2016

Me desculpa se às vezes eu me calo, desvio o olhar do seu e não te conto o que se passa na minha cabeça. Mas é que eu não consigo mais ter de novo e de novo aquela velha conversa onde eu te pergunto 'o que é que você quer de nós?', onde você me lança um olhar meio perdido e meio indisposto. Indisposto - como quem já está cansado do mesmo papo - e perdido - como quem não sabe de onde vem e nem pra onde vai.
A sua calma em se decidir sempre te leva a um ponto em que o destino escolhe pra você. Você não consegue decidir se vai ou não àquela festa, até que os ingressos se esgotam e você está aí, parado no mesmo lugar.
E você vai acabar ficando nesse mesmo lugar onde você foi à escola e ao colégio e à faculdade, porque você não consegue tomar as rédeas da sua vida e assumir as consequências das suas decisões.
Acontece que eu não vou ficar pra ver. Depois de tantos dias e meses e anos nós deveríamos estar andando pra frente, e não pra trás. Mas eu não vou ficar em volta de você esperando o destino decidir por nós. Na sua calma em se resolver, eu estou criando planos pra seguir minha vida sem você:
Você está me perdendo aos poucos.
E isso pra mim é tão claro que mal chega a doer.
De tanto que você quis seu espaço, eu fui aprendendo a gostar do meu. De tanto que você não quis se prender, eu fui desejando as novas possibilidades. De tanto que você evitou fazer planos pro futuro, o meu agora não conta mais com você: eu me vejo em outra cidade, com outros amigos e com outro amor. 
E eu simplesmente não consigo mais te ver lá (afinal de contas, não era mesmo onde você queria estar...).

terça-feira, setembro 13, 2016

Vai dar tudo certo

13/09/2016
Vai dar tudo certo. A gente se entende, se beija e se perdoa. A gente ri das brigas bobas, e faz piada das nossas diferenças, dizendo que os opostos se complementam. E conta pros amigos achando graça no caos. Vai dar tudo certo. A gente faz amor intenso de reconciliação, a gente compensa num beijo caloroso e num pedido de desculpas emocionado. Vai dar tudo certo. A gente briga falando baixo, a gente não se exalta e nem ofende o outro. Tá tudo sob controle. Vai dar tudo certo.
Até que não dá mais. Até que é impossível suportar quando aquele seu hábito péssimo de não se comprometer com nada começa a desabar sobre mim. Até que a minha necessidade de controle te faz sair do sério. Até que fica insustentável fingir ter a paciência de uma mãe com sua lentidão em se comprometer – com um evento, com uma viagem ou com uma vida a dois. Até que fica complicado lidar com seu hábito de fazer de tudo uma competição. Até que nem todo o cuidado do mundo que eu tenho de te dizer o que eu penso seja o suficiente, e tudo pareça uma dura crítica a você – nunca um ato de amor ou cuidado. Até que qualquer expressão de insatisfação e tristeza te desgaste e faça você ter preguiça de mim – eu te leio, sim. Até que continuar parece querer dizer comprar uma briga eterna, em que ou eu me calo, ou eu me torno o pior dos seres humanos simplesmente por dizer o que dói em mim. Até que o simples fato de eu querer você pra o resto da minha vida pareça um peso sobre você.
Até que nem todo o amor do mundo que eu tenho por você, nem todas as palavras doces, nem todo gesto de cuidado seja o suficiente pra você sequer desejar entender que tudo o que eu digo e faço e falo e peço é buscando o nosso bem - Não o meu. O NOSSO bem.
E aí, meu bem, vai dar tudo errado.

terça-feira, agosto 16, 2016

Existe um certo alívio na sua imperfeição. No jeito que, sorrindo despretensiosa, eu afirmo pras pessoas que você não é nada daquilo que eu procurei. É que dá um medo de por algum acaso a gente esbarrar com a perfeição e isso não bastar, sabe?
Imagina só se você fosse tudo aquilo o que eu escrevi um dia numa lista, só pra lembrar de pedir pra Deus todo o dia antes de dormir? E se tudo fosse perfeito e pleno e milimetricamente encaixado? Imagina só eu conhecer alguém e ser feliz 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem quebra de expectativa? Alguém pode dizer que isso é o que todos gostaríamos. Mas é que aí não há mais espaço para nada que venha depois. O tombo é imenso, o estrago não se pode medir. Imagina conhecer a perfeição, e saber que nada depois daquilo irá bastar?
Temer todos os dias coisas corriqueiras como morte e separação; temer todos os dias que aquele que se tornou razão de sua existência pode escolher amar outro alguém; temer coisas simples como o desgaste e a rotina?
Eu te amo. Sou capaz de te querer todos os dias da minha vida e nunca me cansar. Mas se você se for, depois de você há espaço para muitas coisas. Eu vou poder me lembrar dos seus defeitos e por um momento até aprender a te odiar. Eu vou poder falar mal de você pras minhas amigas, e acalmar minha mãe dizendo que assim foi melhor. Falar de como você era condescendente, ou de como você nunca seria um bom pai, ou de como era chato quando você começava a falar de Direito sem parar. Mas se você fosse tudo aquilo que eu sempre desejei que você fosse; e se então você partisse um dia, se cansasse de mim, ou fosse praquele país no qual você sempre quis viver; o que eu iria dizer pras pessoas? Em que eu iria me içar pra me reerguer? Sairia por aí procurando alguém exatamente igual a você? Torceria pra você mudar de ideia e voltar por mim? Quem sabe, viveria uma vida saudosista, dizendo que ‘meu marido é um ótimo pai’, mas ao pensar em amor, viver apegada nas lembranças de tudo o que a gente viveu?
Não quero conhecer a perfeição. É arriscado demais. Você, suas imperfeições, até mesmo suas falhas de caráter – que todo mundo tem um pouco -, a maneira como você às vezes é inadequado e até quando me faz sofrer um pouco, e me faz dormir com raiva, mas é capaz de me fazer esquecer tudo no dia seguinte: você é o que eu quero pra mim.

segunda-feira, maio 02, 2016

Em todo lugar

Pensei em devolver todos os presentes que você me deu quando você se foi. Cheguei a encher duas ou três caixas com fotos, roupas,  aquele cd que já está arranhado de tanto eu ouvir, e todos os presentes e mimos que você me deu em datas comerciais ou naqueles dias em que você simplesmente se lembrou de mim. Mas me dei conta de que, se eu quisesse chegar a algum lugar, teria que devolver também a almofada que você sempre usava pra ver tevê, e que já é toda o seu cheiro. Teria que devolver a poltrona em que você sempre sentava desengonçado pra tocar incrivelmente bem meu violão. Ah, o violão, esse teria que ir embora, já que você é muito melhor em tirar algo de bom dele.. eu teria que devolvê-lo com a lembrança da sua voz, e de todas as músicas que você costumava tocar. Eu precisaria devolver minha conta no netflix, que me lembra todos os dias daquela série que a gente via juntos no domingo à noite. Precisaria jogar fora todas as minhas lingeries, pois não tem nenhuma que eu não usei antes de fazer amor com você - mesmo aquelas beges ou desbotadas, que a intimidade acabou por revelar. Também teria que abrir mão das gavetas que guardavam as suas coisas que ficavam cada vez mais na minha casa do que na sua. Elas ainda estão vazias esperando pela sua camiseta de dormir.

Pensei em devolver os presentes, mas o que eu queria desesperadamente era ser capaz de devolver as lembranças.
Você está em todo lugar. Minha casa grita seu sussuro, sopra seu cheiro, derrama seu suor. Minha cama te sabe de cor, e minha banheira ficou grande demais de repente. Meus temperos não têm mais o mesmo sabor. O vinho que eu bebo só desce amargo, com gosto de quem bebe pra esquecer.
Nem se eu juntasse tudo e derramasse gasolina e colocasse fogo. Nem as chamas iriam varrer o amor que eu ainda sinto por você.
O que me resta é abraçar aquilo que te traz mais presente: a minha dor. Vou me enrolar na coberta que você se enrolou, deitar a cabeça no travesseiro em que você se confortou, comer aquela sobremesa que você amava e me ensinou a gostar, ver a nossa série e me lembrar de você, com toda a força que eu conseguir. Até que a nossa série seja minha, que o cheiro no travesseiro seja o meu, que aquela sobremesa seja só mais uma. Até que meu lar seja só meu.



quinta-feira, março 03, 2016

Você foi a coisa mais linda que tive. Tanto que ainda sinto a urgência de te doar até a minha última gota. Você a quer? Se sim, o que isso quer dizer? "Afinal de contas, quer meu riso ou meu pranto?"...

Você foi a coisa mais linda que tive. Queria ser a sua.

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

"(...)Mas o que foi dito não se pode desfazer. A ideia que atravessa a mente é como um rio que passa arrastando tudo. Nada mais ocupa o mesmo lugar. As coisas estão bagunçadas e talvez isso não seja reversível. Esse é simplesmente o novo e irrevogável lugar das coisas.
E eu, de volta ao princípio. Retornei a dezenas de incertezas e a uma dolorida descrença em nós dois. Outra vez estou naquele lugar onde vejo, a qualquer momento, emergir o fim. A certeza da despedida se materializa. O vazio de não poder acreditar em nada. Pra que apostar? Gastar meu tempo e energia e lágrimas e toda a doçura que eu sei dedicar, pra um fim categórico? (...)"

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Sal e Sol


Sinto muito que você seja a primeira pessoa a descobrir que eu estou num dia ruim, aqueles em que qualquer tom mais áspero me faz desabar.. Me desculpe por ter que lidar com minha TPM, e por todas as surpresas que vêm com ela. Desculpa por ter que me ver com meu pijama surrado ou uma roupa gasta quando chega em casa pra me ver. Sinto muito por ter que aturar meu ciúme bobo que é só um charminho pedindo atenção. Por eu ser carente, por pedir abraço e colo e ouvidos e suas mãos nas minhas a maior parte do tempo. Desculpa por ter que lidar comigo reclamando do meu peso e depois devorando algum chocolate num intervalo de menos de uma hora. Me desculpe pelo fato de eu duvidar constantemente do seu amor, da sua intenção, por eu sofrer sem motivo. Me desculpa por eu me cansar depois de três horas de interação social e matar o clima da festa com o mau humor que costuma vir depois disso. Me desculpa por sempre pensar que dá pra melhorar, ajustar, adaptar, e não ter o dom de me acomodar. Isso cansa, eu sei. Perdoa meus olhos tão transparentes que não sabem disfarçar que não era aquilo que eu queria escutar, mesmo quando eu entendo perfeitamente que era o que eu precisava ouvir. Desculpa por eu chegar muito mais longe do que você quando o assunto é vislumbrar o que vem pela frente..e o meu pessimismo nessas horas.

Você tem meu lado ruim. Meus fantasmas, minhas bagagens, minha luta diária com o peso que é viver.
Mas entenda, nos meus dias de Sol eu quero estar com você. Toda refeição que eu preparo eu quero dividir com você. É pra você que eu visto minha melhor lingerie, e é com você que eu faço os meus melhores planos. Você é minha primeira vontade ao acordar, e a última ao dormir. Se eu como chocolate eu desejo dividir com você, e se eu malho e como salada é pensando em ficar bonita pra você. O meu melhor sorriso é seu. Os meus truques, meu rebolado, a posição nova que eu aprendi. Tudo é inteiramente seu. O meu melhor vestido eu ponho pra você ver. E o meu raro otimismo na hora de sonhar, eu guardo pra sonhar com você.
Você vê meus demônios, mas diariamente eu te dedico o melhor de mim.
Você vê o meu pior, mas o meu melhor, ah, ele te pertence.

quinta-feira, janeiro 21, 2016

Resoluções

Não. Você não é nada do que eu pedi.
Eu nunca dormi desejando um cara desbocado, cheio de marra, metido a esperto e com dificuldade de demonstrações públicas de afeto.
Eu pedi por muitas coisas. Coisas que eu achava que queria, que eu acreditei precisar. Mas aí você entrou na minha vida. E não foi nada de repente. Um lento processo de convencimento mútuo, de transformações profundas, de conversas, dores e de lágrimas – amadurecer dói tanto, não é? – foi necessário pra gente se ver de verdade.
Eu demorei a enxergar que você tinha tanto mais a oferecer, coisas que eu nunca saberia como pedir.
Eu nunca saberia rezar pedindo alguém que é tão aberto pra dizer o que sente - mesmo que nem você consiga entender às vezes -, ou pra contar como foi seu dia. Que se divide comigo, me conta suas aventuras, frustrações, sua rotina, sem eu precisar perguntar ou insistir.
Eu não saberia pedir por alguém que é tão honesto que às vezes chega a doer. Talvez você não entenda, mas eu te admiro por ser sincero mesmo quando a resposta que você tem pra me dar claramente não é a que eu quero ouvir. Você não tenta enganar, disfarçar. Você não esconde sua confusão, sua indecisão, seus medos.
Eu não saberia pedir por alguém que me leva pra sua casa todos os dias na hora do almoço pra eu dormir um pouquinho, só porque do contrário eu não conseguiria ficar acordada durante a tarde.
Quando é que eu iria rezar pedindo “Deus, manda um cara que salva todas as gifs fofas de gatinhos e cachorros e crianças só pra me mostrar”? Eu nem fazia ideia do quanto isso poderia me fazer feliz.
Muito menos saberia expressar que tudo o que eu precisava era alguém que mora a 7 minutos de mim, pra gente poder almoçar juntos todo dia, se encontrar nos horários mais doidos ou pra eu poder pedir socorro a qualquer hora quando tá tudo mal.
Eu não saberia desejar pais tão legais quanto os seus, que me recebessem como se eu fosse da família e cuja casa fosse um lar pra mim - especialmente quando é tão difícil eu voltar pra casa.
Nem saberia pedir por alguém que vai dormir sempre junto – e não em horários diferentes – e que antes de dormir me abraça.
Ou por alguém que começa a me beijar em público e fazer carinho só porque tomou umas cervejinhas.
Ou por alguém que come tudo o que eu cozinho com a melhor cara de felicidade.
Como é que eu iria saber como é importante pra mim o fato de você me ler tão bem, e não conseguir deixar pra lá se acreditar que eu tô mal? 
Você me faz bem diariamente, e me faz sentir paz.
Espero um dia ser o mesmo pra você: descanso pra sua alma.

Data de Validade

Eu nunca tive lá muita dúvida. Eu nunca quis as paixões, as experiências, o descompromisso, a tão ansiada liberdade. Eu sempre quis mesmo o amor. A rotina diária que conecta nos mais pequenos detalhes. Rir junto diariamente. Deitar abraçado antes de dormir. Cozinhar e comer juntos. Eu sempre quis alguém que quisesse algo assim. Que não tivesse medo de assumir pros amigos que quer uma mulher só, compromisso, filhos e um cachorro. Alguém que, tanto quanto eu, não veja graça em sair beijando bocas estranhas em festas. Alguém que entenda que isso é uma maneira bem besta de se buscar um amor. Alguém que não precisa experimentar pra saber de antemão que essa vida é vazia. E que por isso nem perde seu tempo com pessoas que se vestem pra impressionar e bebem pra se entreter, com jogos de sedução e sexo casual, já que entende o valor daquilo que é real. Daquilo que não some no dia seguinte quando a ressaca aparece. Daquilo que é raro de ser conquistado.
Eu desejei todas as noites alguém que não tenha medo das coisas crescerem, criarem raízes e proporção. Eu quis alguém que fizesse planos. E apostasse um pouquinho.
Alguém que fosse contra essa corrente idiota de querer todas as bocas numa noite só, de querer exibir conquistas, de querer transgredir as regras por recompensas vazias e passageiras. Alguém que escolhesse uma vida comigo sem ter medo de perder outras coisas...
Vez ou outra eu ouço alguém dizer que eu sou muito sensacional. Que eu sou inteligente, legal, engraçada, sábia, consciente, que desenho, que eu canto, que eu toco, que eu sou linda. Muita gente se apaixonou por mim, por meus inúmeros talentos.
Então por que é que ninguém quer ficar até o fim e pagar pra ver? Por que é que me amar cansa? Por que as pessoas querem partir de mim quando eu tento entrar na vida delas?
Parece que me amar vem com data de validade.

quinta-feira, outubro 22, 2015

O amor não tem hora certa

O amor não é uma visita com hora marcada. O amor não é a pizza que você pediu e que tem prazo pra chegar. O amor vem sem hora certa. É aquele convite de última hora, que você quer atender, mas que vai atrapalhar o seu planejamento da semana. É aquela chuva que você está pedindo há dias pra molhar a terra, mas que chegou bem naquela hora que você acreditava precisar do Sol. O amor é uma tempestade. Ele vem em golpes inesperados. E atordoa.
O amor não é uma casa que você compra quando o mercado imobiliário está favorável. Tampouco é um intercâmbio que você escolhe o melhor momento pra fazer. O amor acontece. Ele é aquela oportunidade que surge na sua frente sem você esperar. E é para aqueles que têm a ousadia de agarrá-la. Para aqueles que, ao se deparar com a possibilidade do amor, não têm escolha senão fechar  os olhos e mergulhar, numa aposta corajosa e cheia de fé de que isso vai levar a algum lugar.

quarta-feira, setembro 02, 2015

Rotina (trechos)


"[...] Não me entenda mal, meu bem. Eu não choro à noite porque eu não sei ser feliz se você não está perto. Eu tenho minhas obrigações, sei me divertir, tenho bons amigos. Mas é que quando você dispensa minha companhia assim, vez após vez, é um pouco difícil de acreditar que você não deixou de me amar um pouco. Que você não se cansou de mim, que a gente meio que perdeu a graça pra ti.
Eu fico meio perdida, porque por muito tempo eu acreditei ter clareza das coisas, mas agora sinto que eu fui enganada. Pior. Parece que eu me enganei. Não quis ver.
E de repente fica claro que, há muito tempo, quase sempre partia de mim. Era sempre eu na sua casa. Era a minha roupa na sua gaveta. Era o meu chaveiro com a sua chave. Nunca a recíproca. Sou sempre eu que digo "fica mais um pouco". E eu sequer me lembro qual foi a última vez em que você disse "por favor, fica". É que eu fui parando de perguntar... e fui entrando... e ficando... achando que você queria tanto quanto eu. Mas eu me enganei. A culpa é minha. Eu sei.
[...]
E a história se repete.
Eu com todo meu amor, de novo, perdendo pra essa maldita rotina que faz os outros se cansarem de mim. [...]"

terça-feira, julho 21, 2015

"(...) torno a cair nesse dilema existencial e me pergunto se eu não deveria me fingir de polida, comedida, milimetricamente controlada, racional e compreensiva, apenas pra dar a um cara qualquer o tempo que ele precisa pra me amar tanto quanto eu o amei desde o primeiro momento em que o vi. Então eu começo a rir e penso que eu nunca me contentaria.
Eu sei que só vai ser pra sempre quando ele me amar primeiro, com olhos intensos e mãos afoitas e palavras gaguejadas. E ele irá fazer tudo errado e irá derramar café em mim e me fazer perguntas inadequadas e irá ter pressa de tudo comigo. E irá me amar no sofá e no tapete da sala e irá cuspir um eu te amo no nosso primeiro café da manha juntos. E então eu vou saber."

Mergulho

Vai entender essa mania que a gente tem de fazer perguntas sem estar pronto pra lidar com a resposta, ou, mais bravamente ainda, de fazer perguntas cujas respostas a gente já sabe, mas acha que dá conta de ouvir. A resposta geralmente dói surpreendentemente mais.
Às vezes eu acho que deveria aprender a ser mais como essas pessoas que vivem uma mentira, porque nunca têm coragem de fazer perguntas, de se questionar. As coisas são o que são e não há nada por trás. É... não procura fundo, não, que senão vem merda. Acredite, é melhor assim. Porque as pessoas não sabem lidar.
Eu sou um peso, um fardo pra se carregar. Eu com essas minhas perguntinhas infelizes e uma profundidade que ninguém quis cavar. Eu com minhas inseguranças, dúvidas e com um eterno desejo de que as coisas sejam maiores do que realmente são, grandiosas, merecedoras da minha dedicação.
Eu com uma sede de que exista algo mais profundo do que a casca, com sede de que haja uma palavra suprimida, uma declaração de amor engolida, uma memória nossa eternizada silenciosamente, uma palavra que ficou gravada, uma música que faz lembrar, um jeito que faz arrepiar, e que um dia tudo isso será confessado. Em com um desejo de transparência que simplesmente não convém. Ninguém quer falar sobre isso. As pessoas não querem falar sobre coisas profundas, pra não revelarem que na verdade elas são só isso. Que elas não pensam na vida, no futuro, no que é perene e no que só está aí de passagem. Que suas tão ditas melhores noites são memórias borradas devido ao álcool e à conversa vazia. Elas não querem revelar que, quando algo incomoda, elas se escondem em seus computadores e em seus smartphones e num copo de cerveja, porque essa é a melhor maneira que elas têm de lidar. Que as suas escolhas, suas relações são apenas consequências, sequências de dias vividos a esmo, de sensações mal-sentidas.
Eu cavo. Eu cavo e incomoda. E dói. Ninguém quer nada disso. Então eu vou ter que mergulhar sozinha. É assim, como sempre foi.

segunda-feira, março 09, 2015

Timing

Um dia eu me abri contigo. Um dia eu te pedi pra ser mais do que raso, que deixasse de fazer piada e me dissesse, lá no fundo, o que você sonha pra você. Você disse que não sonha comigo. Mais do que isso, você jurou que não sonha com nada. A turbidez do futuro se faz vencer e você não parece querer tomar as rédeas do que está por vir. 'Seja o que for, não consigo pensar à frente', você me disse, incapaz sequer de me dizer umas palavras doces, só pra acalmar minha ânsia de te ouvir dizer que um pedacinho de você já sonhou com nós dois compartilhando mais do que um sexo casual e uns finais de semana ociosos e um romance fácil e passageiro de juventude. Tudo e nada, pra você, tanto faz.
Mas o que foi dito não se pode desfazer. A ideia que atravessa a mente é como um rio que passa arrastando tudo. Nada mais ocupa o mesmo lugar. As coisas estão bagunçadas e talvez isso não seja reversível. Esse é simplesmente o novo e irrevogável lugar das coisas.
E eu, de volta ao princípio. Retornei a dezenas de incertezas e a uma dolorida descrença em nós dois. Outra vez estou naquele lugar onde vejo, a qualquer momento, emergir o fim. A certeza da despedida se materializa. O vazio de não poder acreditar em nada. Pra que apostar? Gastar meu tempo e energia e lágrimas e toda a doçura que eu sei dedicar, pra um fim categórico? Talvez semana que vem. Talvez mês que vem. Talvez ano que vem. Talvez amanhã. Por que não? Se vai ser assim, de qualquer maneira...
Queria ter esse seu sossego de não espiar o futuro, não conjecturar, de não se deixar levar nem um pouco e, muito menos então, sonhar. Queria que o fim não doesse antes da hora em mim. Queria querer ir praquele país ao invés de querer ficar pra não me separar de você. Queria ser leve. Queria ser você.
Eu apostei em você. E nós. Mas eu tenho lugar neste seu momento. Eu não caibo no seu depois.

quarta-feira, agosto 20, 2014

Grief


You're sitting right in front of me at this Coffee shop that is just one block away from your workplace. You just asked me how I am, with a casual politeness and a casual smile on your face that confuses me, cause that's not what you expect in a situation like this. My mouth is open, waiting for the words to come out, but, truth is, I never really thought about what I would say when I ran into you. Then I start.
I start telling you I’m doing great, thank you. The place I work at, well, is awesome. It’s a national reference in my area, so I work with capable people, which are great in what they do. I see things work, and it’s not like I’m always bending over backwards to solve problems. Things work and I’m not overcharged (and I’m well paid for it. Yey!). Well, people there are great. They’re nice and gentle and smart and they speak low. You know I like that. They are funny and also critical. In a good way. You know I like that too.

The city has great logistic, no traffic, no violence, there’s the beach, the warm temperature, and the large sidewalks to walk. There are trees everywhere, and the sea breeze. I live near to everything I could possibly need. I go to the gym. I buy my own food. I cook my own food (you know how that is important to me).
I work hard and I study hard. I am climbing. You know I aim for greater things. I pray every day, I read every day. I do things I like and watch things I like. I hang around with friends (Yeah, I made a couple of great friends). I go out to dance and meet new people.
So, my life is great. I’m doing well. Every day I have at least one good reason to smile. And why am I sitting here telling you how great I am doing? Because I need you to understand that all my grief is gone.
When I departed, leaving you behind, I knew I was taking a risk, and I suffered for that. I’ve passed that phase when it seemed impossible to even breathe without you (that really sucked). So I went through that phase where it seemed really hard to eat and to sleep without you around. And I went through that phase where I didn’t want to go out or see a movie or even make new friends. And then I went through that phase where, despite I was just fine, I was quite sure I would never be happy again without you in my life.
Then, one day, I realized that I've been happy once without you in my life. And then the finding, the epiphany: yeah. I could be happy without you in my life. And just like that, the grief was gone. All the despair and all regrets were instantly washed away.
Then I came all the way through here, trying to track you down near to the place you work at, to say that, behind all these things, at the end of this journey, what I found, right there, waiting for me, was my love for you. My pure, sweet, patient, extant and understanding love for you. The inevitable truth.
Behind all those clouded and dark thoughts, I couldn’t see it so clearly. But I see it now. I hope there’s still time for you to take me back, cause now I’m ready to love you like I never could have done before.

quarta-feira, março 05, 2014


O tempo passa e essa vidinha em ciclos nos faz repetitivos. E esse trecho insiste em voltar, cada vez fazendo mais sentido. Mesmo depois de todo esse tempo, desta vez, essa é pra você:

"Não foi fácil ficar sem você. Alguns enjoos e um pouco de vômito me acompanharam no início, mas depois só sobrou a mágoa. E em seguida inveja.                                                                  Mágoa por ter desistido tão rápido de mim.                                                                                          E inveja por ter conseguido.”