Você foi a coisa mais linda que tive. Queria ser a sua.
... E toda essa suposta razão que cerceia do homem a bravura? E toda essa falsa civilização que estranha minha loucura?
quinta-feira, março 03, 2016
sexta-feira, fevereiro 19, 2016
"(...)Mas o que foi dito não se pode desfazer. A ideia que atravessa a mente é como um rio que passa arrastando tudo. Nada mais ocupa o mesmo lugar. As coisas estão bagunçadas e talvez isso não seja reversível. Esse é simplesmente o novo e irrevogável lugar das coisas.
E eu, de volta ao princípio. Retornei a dezenas de incertezas e a uma dolorida descrença em nós dois. Outra vez estou naquele lugar onde vejo, a qualquer momento, emergir o fim. A certeza da despedida se materializa. O vazio de não poder acreditar em nada. Pra que apostar? Gastar meu tempo e energia e lágrimas e toda a doçura que eu sei dedicar, pra um fim categórico? (...)"
E eu, de volta ao princípio. Retornei a dezenas de incertezas e a uma dolorida descrença em nós dois. Outra vez estou naquele lugar onde vejo, a qualquer momento, emergir o fim. A certeza da despedida se materializa. O vazio de não poder acreditar em nada. Pra que apostar? Gastar meu tempo e energia e lágrimas e toda a doçura que eu sei dedicar, pra um fim categórico? (...)"
segunda-feira, fevereiro 01, 2016
Sal e Sol
Sinto muito que você seja a primeira pessoa a descobrir que eu estou num dia ruim, aqueles em que qualquer tom mais áspero me faz desabar.. Me desculpe por ter que lidar com minha TPM, e por todas as surpresas que vêm com ela. Desculpa por ter que me ver com meu pijama surrado ou uma roupa gasta quando chega em casa pra me ver. Sinto muito por ter que aturar meu ciúme bobo que é só um charminho pedindo atenção. Por eu ser carente, por pedir abraço e colo e ouvidos e suas mãos nas minhas a maior parte do tempo. Desculpa por ter que lidar comigo reclamando do meu peso e depois devorando algum chocolate num intervalo de menos de uma hora. Me desculpe pelo fato de eu duvidar constantemente do seu amor, da sua intenção, por eu sofrer sem motivo. Me desculpa por eu me cansar depois de três horas de interação social e matar o clima da festa com o mau humor que costuma vir depois disso. Me desculpa por sempre pensar que dá pra melhorar, ajustar, adaptar, e não ter o dom de me acomodar. Isso cansa, eu sei. Perdoa meus olhos tão transparentes que não sabem disfarçar que não era aquilo que eu queria escutar, mesmo quando eu entendo perfeitamente que era o que eu precisava ouvir. Desculpa por eu chegar muito mais longe do que você quando o assunto é vislumbrar o que vem pela frente..e o meu pessimismo nessas horas.
Você tem meu lado ruim. Meus fantasmas, minhas bagagens, minha luta diária com o peso que é viver.
Mas entenda, nos meus dias de Sol eu quero estar com você. Toda refeição que eu preparo eu quero dividir com você. É pra você que eu visto minha melhor lingerie, e é com você que eu faço os meus melhores planos. Você é minha primeira vontade ao acordar, e a última ao dormir. Se eu como chocolate eu desejo dividir com você, e se eu malho e como salada é pensando em ficar bonita pra você. O meu melhor sorriso é seu. Os meus truques, meu rebolado, a posição nova que eu aprendi. Tudo é inteiramente seu. O meu melhor vestido eu ponho pra você ver. E o meu raro otimismo na hora de sonhar, eu guardo pra sonhar com você.
Você vê meus demônios, mas diariamente eu te dedico o melhor de mim.
Você vê o meu pior, mas o meu melhor, ah, ele te pertence.
quinta-feira, janeiro 21, 2016
Resoluções
Não. Você
não é nada do que eu pedi.
Eu nunca dormi
desejando um cara desbocado, cheio de marra, metido a esperto e com dificuldade
de demonstrações públicas de afeto.
Eu pedi
por muitas coisas. Coisas que eu achava que queria, que eu acreditei precisar.
Mas aí você entrou na minha vida. E não foi nada de repente. Um lento processo
de convencimento mútuo, de transformações profundas, de conversas, dores e de
lágrimas – amadurecer dói tanto, não é? – foi necessário pra gente se ver de
verdade.
Eu
demorei a enxergar que você tinha tanto mais a oferecer, coisas que eu nunca
saberia como pedir.
Eu nunca saberia
rezar pedindo alguém que é tão aberto pra dizer o
que sente - mesmo que nem você consiga entender às vezes -, ou pra contar como foi seu dia. Que se divide comigo, me conta suas
aventuras, frustrações, sua rotina, sem eu precisar perguntar ou insistir.
Eu não
saberia pedir por alguém que é tão honesto que às vezes chega a doer. Talvez você
não entenda, mas eu te admiro por ser sincero mesmo quando a resposta que você tem
pra me dar claramente não é a que eu quero ouvir. Você não tenta enganar,
disfarçar. Você não esconde sua confusão, sua indecisão, seus medos.
Eu não
saberia pedir por alguém que me leva pra sua casa todos os dias na hora do
almoço pra eu dormir um pouquinho, só porque do contrário eu não conseguiria ficar
acordada durante a tarde.
Quando é
que eu iria rezar pedindo “Deus, manda um cara que salva todas as gifs fofas de
gatinhos e cachorros e crianças só pra me mostrar”? Eu nem fazia ideia do
quanto isso poderia me fazer feliz.
Muito
menos saberia expressar que tudo o que eu precisava era alguém que mora a 7
minutos de mim, pra gente poder almoçar juntos todo dia, se encontrar nos
horários mais doidos ou pra eu poder pedir socorro a qualquer hora quando tá
tudo mal.
Eu não
saberia desejar pais tão legais quanto os seus, que me recebessem como se eu
fosse da família e cuja casa fosse um lar pra mim - especialmente quando é tão
difícil eu voltar pra casa.
Nem
saberia pedir por alguém que vai dormir sempre junto – e não em horários
diferentes – e que antes de dormir me abraça.
Ou por
alguém que começa a me beijar em público e fazer carinho só porque tomou umas
cervejinhas.
Ou por alguém que come tudo o que eu cozinho com a melhor cara de felicidade.
Como é que eu iria saber como é importante pra mim o fato de você me ler tão bem, e não conseguir deixar pra lá se acreditar que eu tô mal?
Você me faz bem diariamente, e me faz sentir paz.
Espero um dia ser o mesmo pra você: descanso pra sua alma.
Ou por alguém que come tudo o que eu cozinho com a melhor cara de felicidade.
Como é que eu iria saber como é importante pra mim o fato de você me ler tão bem, e não conseguir deixar pra lá se acreditar que eu tô mal?
Você me faz bem diariamente, e me faz sentir paz.
Espero um dia ser o mesmo pra você: descanso pra sua alma.
Data de Validade
Eu nunca tive lá muita dúvida. Eu nunca quis as paixões, as
experiências, o descompromisso, a tão ansiada liberdade. Eu sempre quis
mesmo o amor. A rotina diária que conecta nos mais pequenos detalhes.
Rir junto diariamente. Deitar abraçado antes de dormir. Cozinhar e comer
juntos. Eu sempre quis alguém que quisesse algo assim. Que não tivesse
medo de assumir pros amigos que quer uma mulher só, compromisso, filhos e
um cachorro. Alguém que, tanto quanto eu, não veja graça em sair
beijando bocas estranhas em festas. Alguém que entenda que isso é uma
maneira bem besta de se buscar um amor. Alguém que não precisa
experimentar pra saber de antemão que essa vida é vazia. E que por isso
nem perde seu tempo com pessoas que se vestem pra impressionar e bebem
pra se entreter, com jogos de sedução e sexo casual, já que entende o
valor daquilo que é real. Daquilo que não some no dia seguinte quando a
ressaca aparece. Daquilo que é raro de ser conquistado.
Eu desejei todas as noites alguém que não tenha medo das coisas
crescerem, criarem raízes e proporção. Eu quis alguém que fizesse
planos. E apostasse um pouquinho.
Alguém que fosse contra essa corrente idiota de querer todas as bocas
numa noite só, de querer exibir conquistas, de querer transgredir as
regras por recompensas vazias e passageiras. Alguém que escolhesse uma
vida comigo sem ter medo de perder outras coisas...
Vez ou outra eu ouço alguém dizer que eu sou muito sensacional. Que eu
sou inteligente, legal, engraçada, sábia, consciente, que desenho, que
eu canto, que eu toco, que eu sou linda. Muita gente se apaixonou por
mim, por meus inúmeros talentos.
Então por que é que ninguém quer ficar até o fim e pagar pra ver? Por
que é que me amar cansa? Por que as pessoas querem partir de mim quando
eu tento entrar na vida delas?
Parece que me amar vem com data de validade.
quinta-feira, outubro 22, 2015
O amor não tem hora certa
O amor não é uma visita com hora marcada. O amor não é a pizza que você pediu e que tem prazo pra chegar. O amor vem sem hora certa. É aquele convite de última hora, que você quer atender, mas que vai atrapalhar o seu planejamento da semana. É aquela chuva que você está pedindo há dias pra molhar a terra, mas que chegou bem naquela hora que você acreditava precisar do Sol. O amor é uma tempestade. Ele vem em golpes inesperados. E atordoa.
O amor não é uma casa que você compra quando o mercado imobiliário está favorável. Tampouco é um intercâmbio que você escolhe o melhor momento pra fazer. O amor acontece. Ele é aquela oportunidade que surge na sua frente sem você esperar. E é para aqueles que têm a ousadia de agarrá-la. Para aqueles que, ao se deparar com a possibilidade do amor, não têm escolha senão fechar os olhos e mergulhar, numa aposta corajosa e cheia de fé de que isso vai levar a algum lugar.
quarta-feira, setembro 02, 2015
Rotina (trechos)
"[...] Não me entenda mal, meu bem. Eu não choro à noite porque eu não sei ser feliz se você não está perto. Eu tenho minhas obrigações, sei me divertir, tenho bons amigos. Mas é que quando você dispensa minha companhia assim, vez após vez, é um pouco difícil de acreditar que você não deixou de me amar um pouco. Que você não se cansou de mim, que a gente meio que perdeu a graça pra ti.
Eu fico meio perdida, porque por muito tempo eu acreditei ter clareza das coisas, mas agora sinto que eu fui enganada. Pior. Parece que eu me enganei. Não quis ver.
E de repente fica claro que, há muito tempo, quase sempre partia de mim. Era sempre eu na sua casa. Era a minha roupa na sua gaveta. Era o meu chaveiro com a sua chave. Nunca a recíproca. Sou sempre eu que digo "fica mais um pouco". E eu sequer me lembro qual foi a última vez em que você disse "por favor, fica". É que eu fui parando de perguntar... e fui entrando... e ficando... achando que você queria tanto quanto eu. Mas eu me enganei. A culpa é minha. Eu sei.
[...]
E a história se repete.
Eu com todo meu amor, de novo, perdendo pra essa maldita rotina que faz os outros se cansarem de mim. [...]"
terça-feira, julho 21, 2015
"(...) torno a cair nesse dilema existencial e me pergunto se eu não deveria me fingir de polida, comedida, milimetricamente controlada, racional e compreensiva, apenas pra dar a um cara qualquer o tempo que ele precisa pra me amar tanto quanto eu o amei desde o primeiro momento em que o vi. Então eu começo a rir e penso que eu nunca me contentaria.
Eu sei que só vai ser pra sempre quando ele me amar primeiro, com olhos intensos e mãos afoitas e palavras gaguejadas. E ele irá fazer tudo errado e irá derramar café em mim e me fazer perguntas inadequadas e irá ter pressa de tudo comigo. E irá me amar no sofá e no tapete da sala e irá cuspir um eu te amo no nosso primeiro café da manha juntos. E então eu vou saber."
Mergulho
Vai entender essa mania que a gente tem de fazer perguntas sem estar pronto pra lidar com a resposta, ou, mais bravamente ainda, de fazer perguntas cujas respostas a gente já sabe, mas acha que dá conta de ouvir. A resposta geralmente dói surpreendentemente mais.
Às vezes eu acho que deveria aprender a ser mais como essas pessoas que vivem uma mentira, porque nunca têm coragem de fazer perguntas, de se questionar. As coisas são o que são e não há nada por trás. É... não procura fundo, não, que senão vem merda. Acredite, é melhor assim. Porque as pessoas não sabem lidar.
Eu sou um peso, um fardo pra se carregar. Eu com essas minhas perguntinhas infelizes e uma profundidade que ninguém quis cavar. Eu com minhas inseguranças, dúvidas e com um eterno desejo de que as coisas sejam maiores do que realmente são, grandiosas, merecedoras da minha dedicação.
Eu com uma sede de que exista algo mais profundo do que a casca, com sede de que haja uma palavra suprimida, uma declaração de amor engolida, uma memória nossa eternizada silenciosamente, uma palavra que ficou gravada, uma música que faz lembrar, um jeito que faz arrepiar, e que um dia tudo isso será confessado. Em com um desejo de transparência que simplesmente não convém. Ninguém quer falar sobre isso. As pessoas não querem falar sobre coisas profundas, pra não revelarem que na verdade elas são só isso. Que elas não pensam na vida, no futuro, no que é perene e no que só está aí de passagem. Que suas tão ditas melhores noites são memórias borradas devido ao álcool e à conversa vazia. Elas não querem revelar que, quando algo incomoda, elas se escondem em seus computadores e em seus smartphones e num copo de cerveja, porque essa é a melhor maneira que elas têm de lidar. Que as suas escolhas, suas relações são apenas consequências, sequências de dias vividos a esmo, de sensações mal-sentidas.
Eu cavo. Eu cavo e incomoda. E dói. Ninguém quer nada disso. Então eu vou ter que mergulhar sozinha. É assim, como sempre foi.
segunda-feira, março 09, 2015
Timing
Um dia eu me abri contigo. Um dia eu te pedi pra ser mais do que raso, que deixasse de fazer piada e me dissesse, lá no fundo, o que você sonha pra você. Você disse que não sonha comigo. Mais do que isso, você jurou que não sonha com nada. A turbidez do futuro se faz vencer e você não parece querer tomar as rédeas do que está por vir. 'Seja o que for, não consigo pensar à frente', você me disse, incapaz sequer de me dizer umas palavras doces, só pra acalmar minha ânsia de te ouvir dizer que um pedacinho de você já sonhou com nós dois compartilhando mais do que um sexo casual e uns finais de semana ociosos e um romance fácil e passageiro de juventude. Tudo e nada, pra você, tanto faz.
Mas o que foi dito não se pode desfazer. A ideia que atravessa a mente é como um rio que passa arrastando tudo. Nada mais ocupa o mesmo lugar. As coisas estão bagunçadas e talvez isso não seja reversível. Esse é simplesmente o novo e irrevogável lugar das coisas.
E eu, de volta ao princípio. Retornei a dezenas de incertezas e a uma dolorida descrença em nós dois. Outra vez estou naquele lugar onde vejo, a qualquer momento, emergir o fim. A certeza da despedida se materializa. O vazio de não poder acreditar em nada. Pra que apostar? Gastar meu tempo e energia e lágrimas e toda a doçura que eu sei dedicar, pra um fim categórico? Talvez semana que vem. Talvez mês que vem. Talvez ano que vem. Talvez amanhã. Por que não? Se vai ser assim, de qualquer maneira...
E eu, de volta ao princípio. Retornei a dezenas de incertezas e a uma dolorida descrença em nós dois. Outra vez estou naquele lugar onde vejo, a qualquer momento, emergir o fim. A certeza da despedida se materializa. O vazio de não poder acreditar em nada. Pra que apostar? Gastar meu tempo e energia e lágrimas e toda a doçura que eu sei dedicar, pra um fim categórico? Talvez semana que vem. Talvez mês que vem. Talvez ano que vem. Talvez amanhã. Por que não? Se vai ser assim, de qualquer maneira...
Queria ter esse seu sossego de não espiar o futuro, não conjecturar, de não se deixar levar nem um pouco e, muito menos então, sonhar. Queria que o fim não doesse antes da hora em mim. Queria querer ir praquele país ao invés de querer ficar pra não me separar de você. Queria ser leve. Queria ser você.
Eu apostei em você. E nós. Mas eu tenho lugar neste seu momento. Eu não caibo no seu depois.
quarta-feira, agosto 20, 2014
Grief
You're sitting right in front of me at this Coffee shop that is just one block away from your workplace. You just asked me how I am, with a casual politeness and a casual smile on your face that confuses me, cause that's not what you expect in a situation like this. My mouth is open, waiting for the words to come out, but, truth is, I never really thought about what I would say when I ran into you. Then I start.
I start telling you I’m doing great, thank you. The place I work at, well, is awesome. It’s a national reference in my area, so I work with capable people, which are great in what they do. I see things work, and it’s not like I’m always bending over backwards to solve problems. Things work and I’m not overcharged (and I’m well paid for it. Yey!). Well, people there are great. They’re nice and gentle and smart and they speak low. You know I like that. They are funny and also critical. In a good way. You know I like that too.
I start telling you I’m doing great, thank you. The place I work at, well, is awesome. It’s a national reference in my area, so I work with capable people, which are great in what they do. I see things work, and it’s not like I’m always bending over backwards to solve problems. Things work and I’m not overcharged (and I’m well paid for it. Yey!). Well, people there are great. They’re nice and gentle and smart and they speak low. You know I like that. They are funny and also critical. In a good way. You know I like that too.
The city has great logistic, no traffic, no violence, there’s the beach, the warm temperature, and the large sidewalks to walk. There are trees everywhere, and the sea breeze. I live near to everything I could possibly need. I go to the gym. I buy my own food. I cook my own food (you know how that is important to me).
I work hard and I study hard. I am climbing. You know I aim for greater things. I pray every day, I read every day. I do things I like and watch things I like. I hang around with friends (Yeah, I made a couple of great friends). I go out to dance and meet new people.
So, my life is great. I’m doing well. Every day I have at least one good reason to smile. And why am I sitting here telling you how great I am doing? Because I need you to understand that all my grief is gone.
When I departed, leaving you behind, I knew I was taking a risk, and I suffered for that. I’ve passed that phase when it seemed impossible to even breathe without you (that really sucked). So I went through that phase where it seemed really hard to eat and to sleep without you around. And I went through that phase where I didn’t want to go out or see a movie or even make new friends. And then I went through that phase where, despite I was just fine, I was quite sure I would never be happy again without you in my life.
Then, one day, I realized that I've been happy once without you in my life. And then the finding, the epiphany: yeah. I could be happy without you in my life. And just like that, the grief was gone. All the despair and all regrets were instantly washed away.
Then I came all the way through here, trying to track you down near to the place you work at, to say that, behind all these things, at the end of this journey, what I found, right there, waiting for me, was my love for you. My pure, sweet, patient, extant and understanding love for you. The inevitable truth.
Behind all those clouded and dark thoughts, I couldn’t see it so clearly. But I see it now. I hope there’s still time for you to take me back, cause now I’m ready to love you like I never could have done before.
quarta-feira, março 05, 2014
quinta-feira, fevereiro 06, 2014
Playlist
segunda-feira, fevereiro 03, 2014
Quinze minutos
Eram quinze minutos a pé quando eu fazia o caminho da minha casa até a sua. Aqueles quinze minutos de distância eram longos demais, a cada vez que tudo o que eu queria era me transportar pra o teu lado. E vez após vez eram quinze minutos de espera ansiosa, de pés tropeçando na própria pressa. Minutos a menos com você. Contados. Havia um trecho isolado e escuro, e uma outra boa parte do trajeto de rua não asfaltada. E eu passava por eles, fosse noite ou chuva, sem me preocupar com um perigo qualquer ou com a água entrando nos meus sapatos, só pensando em quantos minutos mais faltavam pra eu alcançar seus braços. O meu guarda chuva e o meu all star já sabiam o caminho de cor. Eu ia pensando em como você iria me receber, se eu estava bonita pra você, se eu havia esquecido o perfume ou o filme que a gente combinou de ver. Ia pensando em como eu ia te sorrir, nas maneiras que eu queria te beijar, e se fosse noite eu ainda olhava pro céu, que gentilmente abraçava minhas expectativas e me prometia que tudo seria grandioso. E era. Quando você abria a porta, eu deixava a angústia do lado de fora, assim como a poeira no tapete. E quando você me beijava, eu sabia que caminharia trinta minutos ou vinte horas a pé, só pra te ver de novo. Quando a gente se encaixava, eu te olhava nos olhos tentando gravar seu rosto, seu cheiro, nosso prazer, pra lembrar a cada momento em que eu estivesse a insistentes quinze minutos de distância de você. Ou mais.
Faz tempo. Já faz muito mais que quinze minutos. Já faz um bilhão de vezes quinze minutos que eu não vejo você. Já faz tanto tempo que eu talvez nem saiba mais o caminho. Você provavelmente já nem mora lá. Você provavelmente tem outro alguém. Eu provavelmente nem saberia mais amar você. A gente não se conhece mais, pelo que eu pude perceber. Mas a minha espera sempre foi sincera, e a minha busca, fiel. E tudo o que eu ainda consigo me lembrar são aqueles quinze minutos, porque, de tudo, foram o que, até o fim, nunca deixou de ser real.
sexta-feira, setembro 27, 2013
Comunicação Não-Violenta
Para quem tiver a oportunidade, recomendo fortemente uma pausa para a leitura:
Esse texto fala sobre como estamos habituados a nos comunicar de forma violenta, e de como isso nos impede de nos conectar efetivamente com as pessoas. É preciso entender que respeito e compaixão são necessários mesmo, e principalmente, quando se discorda de algo ou alguém. Quando alguma necessidade/desejo não nos é atendido ou saciado, nós muitas vezes reagimos de forma agressiva com o outro e - por que não? - com nós mesmos.
Usamos um esquema de culpabilização, seja das circunstâncias, do outro, ou de nós, ao invés de assumirmos responsabilidade por nossa parte em cada acontecimento. Ao fazer uma análise clara e detectar qual é a nossa participação naquele resultado, porque não sermos transparentes quanto a isso e fazermos algo para mudar? É muito fácil culpar o outro, ou culpar a si mesmo e pedir desculpas vazias, e assim encerrar um assunto ou discussão. Mas com essa atitude nós não estamos nos conectando nem enriquecendo nossas relações, e sim fugindo daquilo que realmente nos aflige, pois evitamos nos aprofundar em uma discussão aparentemente densa, em busca do que foi que de fato gerou insatisfação.
Para isso nós precisamos exercitar honestidade e leveza. Honestidade para reconhecer a nossa participação e assumir diante dos outros o papel exercido por nós, sem que isso signifique culpa, vergonha ou punição. E leveza para dizer ao outro aquilo que, nele, nos atinge, incomoda, sem que isso pareça uma acusação ou ameaça. Os conflitos devem ser resolvidos, ou não seremos nunca capazes de nos relacionar intimamente com ninguém, já que toda e qualquer relação humana resultará, com maior ou menor frequência e em maior ou menor grau, em conflito, e se nossa única reação for a fuga, nunca formaremos um vínculo efetivo.
Parte da tentativa de agir com leveza tem, creio eu, a ver com evitar generalizações ou reducionismos. Só porque alguém agiu de forma egoísta por um momento, não quer dizer que tal pessoa seja sempre autocentrada e incapaz de agir com generosidade. Por isso, seria bom evitar pensamentos reducionistas, taxativos, que desconsideram a possibilidade de se reverter um comportamento. Até por que esse tipo de discurso não abre muito espaço para se acreditar que maus hábitos podem com esforço, sim, morrer, ou para aceitar que o ser humano mais “erra” do que “acerta”. Isso sem falar de que, quando julgamos, o fazemos de acordo com a nossa perspectiva. Tudo começa com a NOSSA projeção do que seria um comportamento ideal vindo do outro. E quando o outro age de determinada forma, acreditamos que ele age motivado pelas mesmas forças que nos movem, quando na verdade o outro tem motivações e impulsos diferentes dos nossos.
Ao se comunicar, o alvo não deve ser encontrar um responsável, culpabilizar alguém, e sim achar um modo de reverter uma situação ou comportamento. Um clima hostil com tom de ameaça e de provocação podem minar totalmente as chances de que as relações evoluam de forma benéfica. Franqueza, empatia e compaixão podem nos ajudar a nos colocar de forma mais humana diante do outro, e fazê-lo baixar a guarda e, em retorno, se comunicar de forma amistosa, favorecendo assim uma relação saudável e construtiva.
Por fim, vale lembrar que mudança de comportamento exige muita autoanálise e observação de si e do que está ao redor, além de vontade genuína e esforço contínuo.
Quases
Se eu pudesse resumir nós dois em uma palavra, seria essa. É que a nossa história foi uma curta e intensa sucessão de 'quases'. A começar pelo começo que foi por pouco. Foi bem entre aqueles dois minutos de eu e você, exatamente ao mesmo tempo, esperando o elevador, que a gente começou. Eu estava meio bêbada, como quase nunca fico, e você carente, como quase nunca está. Uma implosão de acasos resultou nos seus lábios sobre os meus de uma forma incerta e tímida. Você quase me ligou no dia seguinte, mas não me ligou porque ainda era cedo. Dias depois a gente se esbarrou em uma festa qualquer e você quis me beijar. Eu quase disse que não, mas cedi. Depois disso a gente passou a se ver com frequência. Eu quase disse que era melhor não, mas nunca disse. Você quase me avisou que nunca daria certo, mas não o fez. E então a gente mergulhou um no outro. Mas não por inteiro. Só quase. Como quem nada sem afundar a cabeça dentro d'água, sabe? Era quase ótimo. Era quase verdadeiro. Você quase gostou de mim e eu quase quis acreditar. Mas a gente nunca realmente chegou lá.
Todo o dia era quase o fim, mas nunca era. Então tudo foi crescendo até quase virar algo grande, e a gente se viu prestes a atravessar a linha. Eu quase mudei por você e você quase enfrentou o mundo por mim. Mas na hora H, a gente viu que não era assim tão adulto, só quase... então a gente calou a boca e o espírito e voltou pro nosso confortável quase, que não precisa 'sim' nem 'não', onde tudo é devagar e sem pressa. Onde tudo pode ficar pra depois, afinal, ninguém sabe mesmo o que vai ser, não é mesmo? E aí a gente esperou esperou, até que o quase foi diminuindo e se acabando, e até que ele se tornou tão fraco que você foi levando suas coisas embora do meu apartamento, e eu fui tirando suas fotos do meu celular, e até que a gente quase não se via, quase não se falava, e enfim, assim, quase mesmo sem doer, o nosso quase virou nada. Só um quase: nada digno de se lembrar.
quarta-feira, setembro 04, 2013
Aquela música era sobre você*
O ano era 1990 quando eu assisti a este por-do-sol pela primeira vez. Eu tinha quatorze anos. Eram as férias de dezembro. Estávamos longe de ter imóveis no litoral. Nestas férias que sofri o acidente submarino que me concedeu inúmeras perfurações no tímpano direito, uma cirurgia com problemas pós-anestésicos e diminuição da capacidade auditiva. Lembro muito bem de tudo. Eu acordava, comia muitos pães com qualquer coisa dentro, bebia um copo gigante de Nescau (não era esse horrível 2.0) e ia apressado para a praia. Lá eu ficava o dia inteiro. Acredito que meu corpo cansava de produzir melanina - não tinha mais espaço para a molécula da melanina nas células. Todo dia, o dia inteiro era feliz. Eu e o mar e os colegas que insistiam em atravessar a arrebentação com o filho de Poseidon. Como eu disse, lembro muito bem de tudo. Quando o dia ia terminando e o sol caminhava para a morte meu humor sofria alteração significativa. Eu saía do mar, me secava, pegava meu walkman (de fita cassete), sentava a uma distância segura de todos de modo que eu não seria importunado e me sentisse próximo e "dava play". A música que tocava era sempre a mesma porque eu sou assim - ouço sempre as coisas que já gosto e se ninguém me apresentar nada novo, tudo bem. Como eu disse, lembro muito bem de tudo. Quando eu saía do mar e me afastava com os fones nos ouvidos, o fazia porque sentia um vazio dentro de mim. Um vazio estranho. Eu não chorava, não me emocionava. Apenas sentia um vazio e ficava vendo o sol morrer de novo. Eu não estava apaixonado. Era como se eu estivesse. Era como se algo me faltasse e eu passaria a vida sem saber o que era. A música que eu ouvia pedia-me paciência. Falava sobre sentir falta, sobre chorar de saudade, sobre um futuro certo e bom, sobre não podermos acelerar o tempo, sobre não fingir, sobre não romper, sobre não suportar a dor do afastamento, sobre precisar de alguém. Alguém. Mas quem? O ano era 1990! Tudo que eu fazia era estudar e ir à praia com meus pais... Os anos se passaram e eu conheço este por-do-sol há vinte e quatro anos. Duas décadas e meia, quase. Desde dezembro de 1990 que não lhe assisto ouvindo aquela música. No sábado passado, 31 de agosto, eu saí sozinho de casa só para assistir ao meu por-do sol preferido. Não, não ouvi aquela música e não me senti vazio. Eu senti saudade, pela primeira vez neste por-do-sol, e entendi o que aquela música quis me dizer há vinte e quatro anos.
*Texto de Angelo Amaral
segunda-feira, agosto 05, 2013
Casa
Cada canto que eu arrumava eu pensava ser só mais um canto frio que nunca chegaria a te conhecer. Cada lugar, cada prateleira daquelas nunca iria sentir o seu cheiro, ou ouvir as suas graças, o seu vocabulário inadequado ou tudo o que você diz querendo chocar. Aquelas paredes não conheceriam sua voz. Os novos lençóis nunca experimentariam o seu calor. Nunca mais a gente deitados, entrelaçados, conectados. Aquele chão, aquelas paredes, aquele chuveiro: eles nunca conheceriam a gente fazendo amor. Pra sempre, agora, um pouco de pressa, na espera pelo momento em que tudo isso vai passar. Em que tudo isso vai deixar de ser.
A casa que eu deixei tem o seu cheiro e a sua cara e as suas memórias. Eu entrei quase ao mesmo tempo naquela casa e nessa nossa história.
E agora eu simultaneamente deixo ambos para trás. E nem um nem outro foi tanto assim por escolha.
É só que a gente precisa saber a hora boa de partir. A gente precisa entender quando aquele lugar deixa de nos pertencer. Aquela casa me abrigou, mas nunca foi minha. Foi abrigo, mas nunca foi lar. E assim foi você. Você me cercou. Você me tocou. Me prendeu e me teve. Mas nunca foi meu lar.
Eu confesso, eu nunca fui capaz de te olhar e me sentir em paz. E nossos finais repetidos e insistentes nunca me pegaram de surpresa. É que eu bem sei o caminho das coisas. A gente pode serpentear, pegar a estrada mais longa e parar no acostamento enquanto o tempo passa. Mas há algo logo ali na frente que nos espera. Um final frio, feio e impiedoso. É que seu coração, menino, ele não sabe perdoar. E isso ainda vai te custar muita leveza.
quinta-feira, agosto 01, 2013
O medo da armadilha*
*Texto de Karolina Figueiredo
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