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quarta-feira, agosto 15, 2012

Air Crash

I'm flying high now, cause it's time for me to leave. I'm just trying to run away from us and our past. I'm sorry if it sounds weak, but strength it's not my gift, mostly because I have already tried to do my best. I took the first airplane, I left without saying goodbye. It wouldn't make it any easier to look into your eyes, since you told me that we don't match, don't work, don't fit, without showing any will of trying to fix my heart.
Now I'm in the middle of the air crash. I'm three thousand feet above the ground, but I've lost my fears for now. I'm gonna die in a split of second, I did a pray and I'm ready now.
Your face covers my sight, your name is all I know. My chest now is stagnant, and my lung seems so vain. But I can't understand the way I feel in soul. It's more and more calm as the fire washes the pain. But I can see your face just trying to believe it, and, even just for a while, you're going to be sorry for not holding my hands, for letting me to leave, and for a day or two you will revive our story.

segunda-feira, agosto 13, 2012

Uma breve reflexão...*

*Trecho do texto retirado do blog Just Wrapped

"[...] Isso porque apenas na vida real e não na ficção achamos razoável conviver com diálogos que não fazem sentido, pessoas que aparecem e desaparecem sem a menor explicação, eventos que parecem ser importantes mas não dão em nada e gente que passa seis anos reclamando da saudade que sente de alguém mas depois subitamente decide ficar com outra pessoa e dizer que tá tudo bem agora – here’s looking at you, Sayid. Na vida real gostaríamos de ver sentido, organização, arcos fechados com personagens que efetivamente se desenvolvem e terminam num final feliz, mas frequentemente temos que nos contentar com atuações questionáveis, gente agindo fora do personagem e eventos totalmente randômicos que não apenas não se encaixam na jornada do herói como ferem as leis de trânsito e até mesmo a constituição. [...]"

domingo, agosto 12, 2012

Teste

Eu me levantei da cama, mudei um pouco os meus planos, me arrumei, só porque eu tinha uma desculpa plausível pra te ver. Eu não queria te ver porque eu estava com saudade ou porque queria fazer piadas idiotas e te ver rir ou porque queria ficar do seu lado com as mãos nas suas o tempo todo ou porque queria me iludir acreditando que alguma coisa poderia mudar. Eu só queria me testar. E te testar.
Eu queria testar a minha capacidade de aceitação e o meu autocontrole e minha maturidade emocional. Eu queria testar a sua capacidade de ignorar tudo o que eu escrevi para você e sobre você e de olhar nos meus olhos com um sorriso empolgado e dizer um extenso oi. Eu queria testar a sua capacidade de ser totalmente indiferente ao fato de que eu vou voltar praquela cidade estranha e fria sem ter ninguém com quem contar e tendo decidido - de forma hiperbólica - que eu nunca vou recorrer a você, nem que eu esteja morrendo, porque você simplesmente me ignorou enquanto eu sofri. Eu queria ver você agindo normalmente diante de tudo e me tratando como aquela colega de turma de uns dois anos atrás, e eu poderia dizer aqui, pra causar algum efeito no texto, que você fingiu que não havia nada de errado, mas a verdade é que, de fato, você não lamenta por nada, e que pra você, de fato, não tem absolutamente nada fora do lugar.
Bem, você passou no teste. Eu não. Porque depois de tanto tempo e apesar de estar tão bem, eu tornei a chorar, uma ou duas vezes, não sei bem por quê. Talvez pela constatação de que eu tenha me entregado tanto a algo de que alguém se desfez sem sequer lamentar.

Mini-conto #5*

*Do blog Just Wrapped
Nós dois estávamos deitados na cama e ela tinha acabado de contar uma história. Coberta até o pescoço, se ajeitava no travesseiro enquanto eu encostava as pontas dos meus dedos descalços na sola do pé gelado dela, meio fazendo carinho, meio fazendo cócegas, meio fazendo nada. Ela pegou alguma coisa no criado mudo e virou pra mim, sorrindo. Eu sorri de volta e ela, encostando uma perna na minha, me perguntou “o quê?”.
Minha primeira reação foi dizer um “você é linda, sabia?”. Primeiro porque era verdade, ela era sim linda. Os olhos dela me desarmavam, o sorriso dela me deixava a 5 cm do chão, o jeito como o cabelo dela caia na testa mexia com sentimentos que eu nem sabia que tinha e possivelmente relacionamentos duradouros já tinham começado baseados em menos afeto e atração do que eu sentia pelo lóbulo esquerdo da orelha dela, num dia em que ela achava que estava “desarrumada e sem graça”, chegando do trabalho ou coisa assim.
Mas achei que um “linda” não seria certo, por conta das implicações. Afinal, se uma garota ouve de um namorado um “linda” ela acaba lendo naquilo uma mensagem implícita de que a aparência dela está sendo filtrada pelos sentimentos dele, ou seja, é um “você é linda porque eu gosto de você”. O que definitivamente não era verdade. Não que eu não gostasse dela, eu gostava muito, mas eu queria deixar claro que ela era linda como 0 kelvin é frio, os Beatles são bacanas e Mogo é o melhor Lanterna Verde: não era uma opinião, era uma constatação factual, fatal, quase científica. Naquele momento eu queria explicar, mas não soube, que ela seria linda pra um telescópio da NASA, para um visitante alienígena, pra um canoísta maori ou para um observador situado num ponto O, localizado na margem de um rio e que precisa determinar sua distância até um ponto P, localizado na outra margem, sem atravessar o rio. Lógico feito trigonometria.
Pensei em dizer que ela me fazia feliz. Que depois dela eu tinha tido contato com alguns níveis de empolgação, diversão e satisfação que eu só havia lido nos livros, visto nos filmes e observado constrangido nos desenhos dos Ursinhos Carinhos, com a vantagem de que ela tinha um gosto musical muito melhor e nunca precisou disparar raios coloridos em locais públicos, porque isso seria meio chato e constrangedor. Que em momentos assim, quando ela encostava no meu ombro, mordia meu pescoço ou apenas ficava deitada no meu peito, eu me sentia mais tranqüilo do que em casa, mais relaxado do que quando eu bebia, mais feliz do que quando eu fazia gol de bicicleta em noite chuvosa na última queda da pelada de quarta-feira. E deus sabe que gol de bicicleta – bicicleta mesmo, não tô falando de puxeta – é um troço muito foda e se eu fiz uns dois nessa vida foi muito.
E eu pensei em dizer isso. E pensei em dizer que queria que aquilo não acabasse, que a gente devia passar mais tempo assim, que queria tirar logo a carteira de motorista pra poder encontrar com ela no trabalho qualquer dia desses, que provavelmente nunca tinha gostado de ninguém daquele jeito e que eu realmente queria que ela se vestisse de batmoça em algum final de semana desses, ainda que esse tópico fosse totalmente não-relacionado aos assuntos anteriores e só tivesse a ver com o fato de que ela realmente ficaria muito gostosa de preto e com aquela máscara. Mary Marvel podia ser bacana também, se fosse o uniforme vermelho clássico e rolasse a sainha.
Mas quando ela piscou pra mim e, já rindo, me perguntou “ei, o quê?”, tudo que eu consegui fazer foi responder “o que o quê?”. Aí ela devolveu um “o que o que o quê?”, fizemos uma piada boba sobre aquilo ter virado um passa ou repassa e a possibilidade do Celso Portiolli sair gritando “valendooo” de dentro do banheiro. Daí voltamos a conversar e bem…acho que as vezes existem coisas que a gente apenas não sabe como dizer, por mais que queira.
E não, não tô falando apenas do lance da Mary Marvel.

terça-feira, agosto 07, 2012

Estranharte

Conversas cotidianas substituidas pelo tiquetaquear frenético de um relógio silente, aquele que marca o tempo psicológico, e que avança e regride ao longo dos dias, contrariando os nossos desejos mais profundos. O meu relógio parou pelo que pareceu uma década, mas eu devo estar enganada, porque só se passou uma folha do meu calendário. Olhares chegados permutados em ausência. Uma ausência tão real que chega a ser palpável.
Essa ausência que quase chega a ser palpável, por certa década que meu relógio pareceu marcar, substituiu o ar nos meus pulmões, substituiu meu apetite e algumas outras coisas que costumavam ser vitais. Mas tudo isso apenas por um período de desconhecimento e vazio mental. Me deparei com muitas formas do desconhecido, e cresci um pouco, também. Mas você consegue imaginar o quão assustador é você plantar uma tulipa, e regar, e regar, e um belo dia você olhar pra ela e não conseguir reconhecer a flor que você escolheu? Não saber dizer se é uma rosa, ou se é um girassol, ou se morreu, ou se secou? É como se algo muito estranho pairasse sobre ela, obliterando sua visão e te impedindo de chegar mais perto?
Eu nunca pensei que poderia ser tão perturbador olhar em volta e se dar conta de que o que era familiar se tornou obscuro e intocável. E eu tenho cada vez mais terror e medo e desconfiança de tentar alcançar tudo o que te diz respeito. É cada vez mais difícil pensar em você. Em quase todos os sentidos possíveis. É cada vez menos frequente, menos verossimil, menos justificável.
Quando você atravessa minha mente, quando eu me lembro de nós, quando, sem querer, eu me imagino falando com você hoje, tudo soa surreal, improvável, quase impossível. Parece-me que tem muitas peças faltando. Você-ontem, você-hoje, não são as mesmas pessoas pra mim. Daí eu me dou conta de que na realidade são, sim, e me pergunto onde é que eu estou enganada, então? Então passa-se meia dúzia de minutos e eu me canso porque não há nenhum objetivo em chegar a qualquer conclusão. Sim, eu me canso rápido. Porque nada disso me leva a lugar algum.

terça-feira, julho 10, 2012

Pessoas são como roupas

Porque a vida é um ciclo, e os mesmos sentimentos nos tomam mais de uma vez, com diferentes intensidades, eu torno a postar este trecho. Mas, felizmente, assim - ou quase assim - como vêm, os sentimentos vão.

"Não foi fácil ficar sem você. Alguns enjoos e um pouco de vômito me acompanharam no início, mas depois só sobrou a mágoa. E em seguida inveja.
Mágoa por ter desistido tão rápido de mim.
E inveja por ter conseguido."

Por @ma_b. Trecho extraído do texto "Pessoas são como roupas" do blog O Diabo Veste Renner.

segunda-feira, julho 09, 2012

E se...

E o que acontece se eu escolher correr sempre o risco de me arrepender por algo que eu fiz? E se eu nunca mais deixar de fazer o que eu quero ou o que me der vontade? E se eu não hesitar em dizer tudo o que me vem ao peito? Será que é verdade que os dias passam e a gente aprende?

domingo, julho 08, 2012

Outro presente

Toma, eu tô te dando. Pega esse embrulho, vai. Mas não esconde atrás do guarda-roupas, não enfia debaixo da cama. Abra. Abrace. Depois guarde no peito. Toma aí, vai, um pouco da fé que eu tenho em você.

Eu não sei por que você está passando agora. Seria hipocrisia dizer que eu já vivi isso, ou que eu consigo imaginar o que você tá sentindo. Mas se eu pudesse, aqui e agora, juntar toda a fé que eu tenho em você, eu te mandaria por e-mail ou por correio ou levaria comigo e te entregaria pessoalmente. Porque é muito devastadora essa força que eu tenho no peito pra acreditar em você. Você é linda e inteligente e esperta e engraçada e agradável e gentil e amável e interessante e franca e sincera e o que mais eu posso dizer? Que você tem tudo pra ser amada? Sim, você tem. É verdade que talvez as pessoas às vezes nos oferecem  um amor limitado e pouco e mesquinho. E é verdade que as pessoas geralmente amam por motivos errados ou pequenos ou egoístas. Mas também é verdade que há pessoas no mundo que sabem amar de forma completa e que sabem se entregar e que sabem juntar o vazio que têm no peito pra se preencher mutuamente. Neste ponto, meu bem, você está enganada se pensa que é o único exemplar neste mundo. Te amar, pra quem está a sua volta, é quase compulsório. Então apenas deixe. Deixe as pessoas te mostrarem que não acabou. Que não é por ai. Deixe as pessoas se aproximarem, e talvez até te amarem pelo motivo errado, até entenderem, então, qual é o certo. Porque quando elas chegarem onde eu cheguei, quando elas encontrarem você por completo, quando elas alcançarem o lugar que poucos conseguem alcançar, elas não vão querer sair.

(Mas, é claro, eu estou falando daquelas pessoas que sabem amar.)

terça-feira, julho 03, 2012

Desculpa

Você chegou olhando em volta com esses seus olhos profundos e com esses cílios longos e grossos que parecem querem proteger o tesouro que o seu olhar guarda. Porque é sempre sobre os olhos? Mas os seus olhos me prenderam. Eu olhava pra senha. Olhava pro relógio. Olhava pra você. Nossa, como você é charmoso. Você riu com aquele olhar de 'eu já sei disso'. Mas deve ser impressão minha porque eu não falei  isso em voz alta e você estava a uns cinco metros de mim e o barulho na fila do banco impediria que você me ouvisse e você sequer tinha notado a minha presença. Eu te olhei desejando que o cenário fosse outro. Eu te olhei querendo amar. Eu pensei em você o dia inteiro porque eu senti vontade de amar alguém só porque os olhos são profundos e a voz é suave. Eu imaginei você e eu e minhas mãos e seus cachos e uma rede e um vento e o mar diante de nós. Eu desejei você me olhando e não conseguindo fugir do meu olhar e pensando num jeito de pedir meu telefone. E eu te daria mesmo sem você pedir porque eu adoro caras tímidos. Me olha, vai? Me deixa ter uma boa desculpa pra pensar em você assim. Eu sou mesmo uma adolescente babaca que se apaixona na fila de um banco? Ou é só mais um acesso de carência de uma mulher em tensão pré-durante-pós-menstrual? Você passou por mim deixando um cheiro de lavanda e flores. Ou talvez seja só impressão minha. De repente você já estava quase na porta e eu achei que eu estava apaixonada por alguém que não notou minha existência. Mas então você parou, olhou pra trás e me atingiu em cheio com o seu olhar certo e profundo dentro dos meus. Aí você sorriu e se virou e se foi porque não havia nada mais a ser feito. E nada disso faz sentido, mas eu vou dormir pensando em você.

domingo, julho 01, 2012

Antes do tudo, o nada

Antes que se componha uma melodia inesquecível aos ouvidos, faz-se necessário um extenso silêncio pra permitir que a mente vague e que a criatividade repouse divina sobre o artista. Antes de um grande passo, um momento de pausa e de reclusa para que se tome os ares e a coragem para levar a cabo a decisão. Antes de juntar as mãos e prender o coração, é preciso ficar só e dar-se por inteiro a se conhecer. Antes das palmas calorosas e do reconhecimento, a dor sincera no peito que faz sentir-se real a tragédia, que faz valer o drama da peça. Antes da obra-prima que se reconhecerá por séculos, o quadro branco, seco e igual a fitar o artista. Antes da estreia repleta das gentes e dos sorrisos afetuosos e de expectativa, os ensaios fechados e as palavras recitadas ao vento. 
Antes do tudo, o nada. Para que aquele se faça reconhecer.

terça-feira, junho 26, 2012

Posso?

Me desculpa a frase vulgar e pouco original, mas eu quero te conhecer, posso? Me deixa te pagar uma bebida, mas dessas que têm a dose generosa, pra que eu possa ouvir mais tempo sobre você. Mas não me leve a mal. Eu não estou aqui porque o bolso da sua calça denuncia que você pagou muito caro por ela, ou porque seus olhos são os mais lindos desse lugar. Eu estou aqui porque você tem esse ombro curvado de quem pede desculpas por algo, de quem lamenta pela vida, de quem se sente indignado. Estou aqui porque seus olhos azuis acinzentados - difícil definir com essa luz inquieta - se fecham quando você dança. Porque seus olhos não procuram um corpo atraente pra se ajuntar. E eu quero te conhecer, sim. Mas eu não quero saber qual curso você faz, nem qual seu restaurante preferido. Eu quero saber qual a primeira palavra que você disse, e do que você tem mais medo nessa vida. Eu não quero saber quantos anos você tem, nem a cidade em que você nasceu. Eu quero saber se você tinha um balanço no quintal da sua casa, e o que você pensa de pessoas que tiram a própria vida. Eu não quero saber seu endereço, nem o número do seu telefone. Eu quero saber em quem você pensa quando tudo parece meio fora do lugar, o que te tira o apetite e o que te causa calafrios. Eu quero saber quem foi a primeira pessoa que te decepcionou, e o que você acha da morte e da vida. Eu quero saber se você dorme de costas ou de barriga pra baixo e se suas mãos suam quando está nervoso. Eu quero saber se você sai e sorri quando está triste ou se você se esconde. Eu quero saber o que te emudece, e o que te faz ficar sem ar. Eu quero saber se você gosta de café forte ou de sobremesa. Eu quero saber se você fecha os olhos ou se canta alto quando ouve sua banda predileta. Eu quero saber se você segura pelas mãos pensando em nunca deixar partir. E não tem como eu saber nada disso te vendo dançar aqui de longe, ou vigiando suas redes sociais. E é por isso que eu estou aqui, te pedindo: por favor, me deixa te conhecer. Posso?

segunda-feira, junho 25, 2012

Aventura

Estar só é uma aventura. É se sentir desafiado e acordar várias vezes e pensar em todos os motivos que tornam boa a sensação de estar assim. É deitar várias vezes pensando em todos os inconvenientes. É dormir alguns dias angustiado pensando se é mesmo a melhor decisão. E em outros extasiado pelas sensações vividas em tal condição. É ter medo e faltar coragem pra mudar a própria condição. É, às vezes, não querer abandonar a própria solidão pra enfrentar o novo. É duvidar. É se perguntar. E, depois, se tranquilizar porque faz todo o sentido, pois foi sempre melhor assim. É uma liberdade condicional. É uma liberdade que não se pode dividir. Compartilhar. É uma liberdade solitária. É poder sempre experimentar o novo e ainda assim não querer. Mas estar junto não é quase tudo isso, também? Se perguntar, se assustar, suar as mãos e temer o novo? Se acomodar e encaixar a cabeça em outro peito e esperar? Dormir amando e dormir odiando às vezes? Se perguntar, duvidar, e ainda assim faltar coragem pra dar um passo? Eu não sou cética a ponto de achar que não se pode amar ou que um amor bem cuidado não possa durar pra sempre. Mas também não sou ingênua a ponto de acreditar que paixão não tem data de validade, e de achar que -sempre- o amor vem com pisca-pisca e trilha sonora que te sinalizam com toda a garantia de que é a escolha certa. Nem os muros modernos de vidro blindado do seu sonho de lar conseguem cercar as dúvidas que virão, as incertezas que repousarão sobre o seu sono, tornando-o desconfortável. Nem as fotos que você mostra pros amigos e as músicas que você canta no pé do ouvido vão impedir que, em certas noites, o travesseiro pareça pedra debaixo da sua cabeça. Nem sempre quem te ama vai te ligar de madrugada só porque não consegue dormir brigado, tornando os seus pesadelos em sonho bom. Às vezes você vai dormir odiando sua escolha. E apesar disso, vai acordar amando. Ou, no mínimo, esperando o melhor pra si. Mas é sempre assim. É essa eterna insatisfação que permeia o ser. Essa eterna negação de nossa condição limitada. Estar só é uma aventura. Estar junto também. Viver, por si só, basta pra que nos sintamos com um vento de cento e oitenta quilômetros por hora batendo no rosto e pra que sintamos a adrenalina esquentar as veias e dilatar as narinas implorando por mais um pouco de oxigênio, pra termos fôlego pra aguentar a próxima descida dessa montanha russa que é a vida.

Calma

Mais que uma necessidade, importa que o amor seja uma escolha. E que faça bem pra alma. Que venha a enlouquecer sem que faça perder o juízo. Que faça doer, mas que, concomitantemente, venha a ser a cura. Calma, importa que haja calma.

Sonho

Eu não entendo porque você disse pra minha melhor amiga que, além do que nós dois sabemos, o nosso problema era tempo. Não foi três meses nem duas semanas nem cinco dias, mas um ano que a gente enfrentou só com ligações e mensagens de celular e finais de semanas corridos e intensos, e o nosso amor pareceu dar conta, não? Eu não entendo, porque eu nunca te disse que a gente, só, não bastava. Eu não tenho dez anos de idade e por isso não vou dizer por aqui que nada disso me aflige, e nem vou mentir por aí que eu sei amar apenas quem me ama de volta. Eu não vou negar que meu coração doeu várias vezes por dia todos os dias até hoje. Mas é que hoje, pela primeira vez, em meu coração sobrou espaço pra eu sentir um pouco de raiva. Raiva da sua displicência e do seu descaso com esse fim torto e frio. E nem é isto que me incomoda: já faz algum tempo que eu parei de desejar as respostas certas pra minhas perguntas e resolvi seguir em frente. Mas é que você não pode. Não pode dizer que me ama demais e que tem medo de nunca mais amar ninguém dessa forma e logo depois sumir e me magoar conscientemente e depois por um fim em tudo dizendo ter medo de me magoar novamente. Você não pode me ligar no meu aniversário e me desejar os parabéns fingindo que não ignorou a mensagem enorme que eu deixei na sua caixa de entrada contando toda a minha dor. Você não pode ficar aí do outro lado fingindo que não é nada. Não pode porque nada disso faz sentido. Então, faz favor, seja coerente, pega seu celular, me liga e diz: 'há muito tempo eu deixei de te amar, e é por isso que eu não me importei em responder a sms que você me enviou numa madrugada qualquer. Ei, eu não quero ser seu amigo, não. Eu só disse isso naquela conversa porque é isso que as pessoas esperam de mim. E é isso que eu estou fazendo: dizendo às pessoas o que elas querem ouvir. Porque, eu?, eu não me importo. Mas olha, eu não te contei porque não queria te magoar.' E sabe o que eu vou dizer: tá tudo bem. Porque isso assim, claro, preto no branco, isso é mais fácil de aguentar. Hoje, no meu coração, sobrou espaço pra eu achar que o nome disso tudo é fraqueza. Não tem culpa você não me amar, eu posso lidar com isso. Mas não finge que não é nada. Esse texto eu escrevi ontem num papel e ele acabaria aqui, não fosse o fato que eu dormi e sonhei com você. Pela terceira noite seguida, creio eu. Mas este sonho foi mais forte, mais marcante, mais real. E, nesse sonho, você morreu. E eu nem me lembro de ter visto seu rosto ou de ter ouvido a sua voz ou de ter te tocado. Mas eu me lembro que todo ele foi em volta deste fato. E, no sonho, eu chorei na frente de todos sem parar, e até me senti culpada. E sabe como eu acordei? Com os olhos encharcados, com o peito doendo, com uma angústia desesperada e vontade de gritar. Depois de pensar que o sonho não tem nada a ver, eu comecei a achar que ele tem muito a ver. Há o que eu considero muito tempo eu não sei de você, eu não ouço de você, como se você tivesse escolhido morrer pra mim. E eu até me culpei por tudo isso mas eu sei que não devo. E eu chorei e fui fraca e me expus pra quem quisesse ver. E eu não gosto muito de sonhos quando eles parecem muito reais, porque trazem à tona coisas adormecidas. E parece que a gente acredita tanto que é verdade, que todo o sentimento toma conta do nosso coração como se fosse isso mesmo. Mas hoje eu estava andando e pensando nisso, e pensei que, talvez, isso tenha um lado bom. Talvez você esteja desocupando a minha consciência pra tomar lugar no meu subconsciente. E isso vai ser apenas por algum tempo. Daqui a pouco você não vai mais ser meu dia-a-dia, como o tem sido: vai ser lembrança. E depois de mais um tempo eu vou me esquecer de lembrar e, apenas um dia ou outro, alguma música ou um cheiro vai me lembrar de algo que eu não sei o quê. E, no início, eu vou saber que é de você, mas vai chegar o tempo que eu não saberei mais dizer do que eu sinto nostalgia. E vai se passar mais algum tempo até que outros cheiros e outras músicas me façam lembrar de outros momentos bons e de outras pessoas, e até que tudo isso fique  impregnado única e simplesmente nestas palavras que aqui estou deixando como prova. Não há objetivo algum em vir aqui e escrever sobre todas essas coisas. Mas isso me faz mais leve. Já pensei em apagar este blog, pra nunca mais escrever sobre você. Mas aí eu penso que só me faria mal. Perdoe-se me as sucessivas digressões. Mas não há objetivo algum porque você não vai ler nenhuma dessas palavras. Mas é que tem outras pessoas que passam aqui de vez em quando, e é como já dizia a Tati: publicar é uma forma de pedir emprestado o peito do outro porque no meu não cabe essa dor. Pelo menos é assim que eu me lembro das palavras. Mas não importa. Esse texto não tem nenhuma frase final, nenhuma conclusão. Porque esse é daqueles textos que eu não escrevi pra alguém ler ou achar bonito ou gostar de como as palavras soam. Esse texto é pra me servir, pra me esvaziar desses pensamentos, pra me desaturdir. Porque tenho sido muito prolixa quando o assunto é você e eu já me esgotei de falar - acho que eu já disse isso, né?

[...]
"A tristeza me fez um milhão de vidas essa semana. Um milhão de almoços e jantares e projetos. Eu sorrindo, implorando às distrações que me levem, que façam remendos em meu peito perfurado pela violência do ar que não assovia mais os seus sons.
A tristeza me fez cortar o cabelo e pintar de loiro. E me fez aumentar os pesos do pilates. E me fez prometer alguma sedução para alguém que jamais receberá nada de mim. Não existe nada mais triste do que essas coisas de dar a volta por cima e essas coisas de tocar o barco e essas coisas de sacudir a poeira e essas coisas medonhas que a gente fala ou pensa ou ouve. A tristeza são frases vazias e feitas e tediosas saindo de bocas vazias e feitas e tediosas."*

*Trecho do texto Triste, de Tati Bernardi.

sábado, junho 23, 2012

Presente

Veio embalado, e o embrulho era tão bonito que eu tive medo de me decepcionar outra vez. Abri com medo e, não fosse o cartão que dizia ser pra mim, eu não acreditaria. Era melhor do que eu podia esperar. Não. Era muito mais do que isso: era melhor porque eu não esperava. Eu que tinha conseguido colocar a dor num canto seguro do meu coração, eu que já tinha me habituado a ela, que já conseguia dormir em paz apesar dela, que já conseguia andar sem tropeçar no próprio pé, que já conseguia sorrir sem precisar de motivos pra isso, eu achei que estava no cume. Achei que era o melhor que a vida poderia me oferecer. Eu não esperava que a vida, como uma surpresa agradável, te pusesse na minha porta dizendo que queria segurar as minhas mãos e me levar pra algo novo. Dizendo que havia no mundo mais do que meu quarto e meu computador, e que lá fora a vida podia também ser interessante. Não esperava você tentando me convencer de que a vida pode ser mais do que a dor. E que eu não precisava de ser madura para lidar com a dor se você podia me mostrar outra fonte de felicidade. Perdoa o meu medo e a minha indignação. Mas é que ser amada sempre foi demais pra mim. E, se eu tivesse escolha, eu estaria agora rejeitando cada passo que você dá em minha direção. Mas desta vez eu não sou capaz, porque você me prendeu dentro dos seus olhos. E as suas palavras todas parecem querer dizer: vem, que eu tenho algo mais pra te dar. Desculpa, mas é difícil entender que um anjo assim saia do jardim-paraíso e venha só pra me buscar do meu poço fundo. Sorriso bobo no rosto, mãos trêmulas e estômago nauseado, mas tudo, desta vez, por um bom motivo: você. E eu. Você e eu. Por tempo indefinido. Eu não toquei seu rosto. Eu não senti sua boca ainda. Mas vai ser em breve, meu bem. E eu sei que vai ser melhor do que tudo.

Cura

Tenho me tornado monotemática e, o pior, verborrágica. Meus pensamentos são reticentes e meu silêncio, irresoluto. Não é que eu queira falar de você. Na verdade eu não quero. Eu apenas falo e parece ser maquinal às vezes. Hoje eu dei um passo. E, por mais que possa parecer que tenha sido um passo na sua direção, eu sei que o que eu desejava era ir na direção contrária. Como se significasse 'ei, já há algum tempo eu estou pronta pra partir'. Eu quis me dirigir a você. Eu quis falar com você. E quando o quis, desta forma o fiz. E, por isso, sou leve agora. Eu não guardei nem mágoa, nem amor, nem saudade, nem sentimento qualquer destes que encheram o meu peito. Tudo isso o disse da forma como me veio no peito e como me subiu à boca. Tudo isso pus pra fora com muita sinceridade e pouca reserva. Não o fiz por ti. O fiz por mim, creia-me. E, se eu me dirigir a você, não me tome por inconsequente: eu bem sei o caminho das coisas. A minha palavra diz o que quer dizer. Eu, que sempre fiz questão de ser bem interpretada, muito me explico quando se faz necessário. Mas, quando a palavra é pouca, é igualmente pouco e simples o que quero dizer. Eu sei que o mundo pode me tomar erroneamente pela forma como me manifesto. Mas eu conheço as minhas motivações, e isso tem bastado pra minha consciência. Eu tenho dormido tranquila, eu tenho me sentido muito bem só, eu tenho tido apetite e tenho saído do meu buraco escuro. Eu tenho pensado em muitas coisas diferentes de nós. E, quando você me vem à mente, vez em sempre, é com paz que meu coração abarca esses pensamentos.  E eu enfrento a dor, e não a postergo, pois quando o meu passo for na direção de outro alguém, eu sei que vou estar limpa e sem sequer desejar olhar pros lados pra ver se você está ao meu alcance. Eu não tenho procrastinado a minha paz, sequer os meus afazeres. Porque a vida não espera, e é aqui e agora que eu vou me curar de você.

quinta-feira, junho 21, 2012

Fica

Não vai. Fica. Eu sei que eu não tenho sido a melhor companhia nos últimos tempos, mas é só você que me deu esperança de que eu poderia amar novamente. Espera. Senta do meu lado. Entrelaça seus dedos nos meus como costuma fazer, segura firme. Finge que nunca vai soltar. Me olhe nos olhos e me constranja. Eu sei que eu não te amo agora, mas se você me der algum tempo. É só o teu braço quente que eu quero agora, e a sua paciência. Eu sei que você me esperou por dias e meses e anos e eu não posso prometer que chegaremos a lugar algum. Mas eu gostaria de que você esperasse que os meus pés estivessem firmes antes de voltar a caminhar novamente. Pra, quem sabe, assim poder andarmos juntos. Gostaria de que você esperasse que essas feridas no meu peito virassem cicatrizes, e que as cicatrizes virassem passado, antes que enfrentássemos esse vento que ameaça vir. Eu sei, não vai ser fácil, mas eu juro que me esforço. A vida debulhou-me, desfez-me, me pôs em pedaços pequenos. E hoje eu sou tão pedaços que já nem me lembro a razão de assim estar. Mas é que hoje eu olhei nos seus olhos e tive esperança. Esperança de que algo novo e que, ao mesmo tempo, sempre esteve aqui, essa mistura de ansiedade e chão-firme, esperança de que isso, sim, seja a resposta pra o que eu estou sentindo agora. Me dá um tempo e, eu juro, eu sei que posso te amar.

segunda-feira, junho 18, 2012

Caminho em frente por sentir vontade.

Eu estou disposta a esquecer-nos de vez, a deixar pra trás, a ser passado. A ver esse 'nós' como pó de mobília velha, que a gente limpa pra fazer parecer nova. Eu estou disposta porque, mesmo com tudo aquilo que me dizia que poderia não ter sido, eu soube ser. E fui da melhor forma. Eu estive, eu vivi, eu senti. Eu simplesmente fui. Eu não amei com medo, eu não abracei com receio, eu não segurei fracamente pelas mãos. Então sei que não há nada de que eu precise me arrepender agora. Eu estou disposta a nos deixar pra trás, a me lembrar dos momentos bons e desejar tudo isso, de novo, mas com outro alguém. E enquanto não houver outro alguém, eu estou disposta a ser feliz só, sem precisar colocar o seu rosto na minha esperança, sem precisar colocar sua presença no meu futuro. Eu estou tão disposta que está começando a funcionar. Eu estou disposta a não te falar da minha vida, não por acreditar que você não dá a mínima, mas porque eu não dou. Eu estou começando a não desejar dividir com você, a não esperar que você estivesse, a não querer que você fosse.
Eu fiquei tão zonza de tanto pensar em nós dois nas últimas semanas que eu só quero conseguir dar um passo à frente sem tropeçar. Eu me tranquei no meu quarto por tanto tempo, eu me afundei tanto no colchão sem conseguir dormir, que me obriguei a enfrentar cada pensamento meu, por mais dolorido que fosse. Porque eu sabia que não fazia sentido, que a humanidade tem problemas demais, que as pessoas passam por problemas reais, e que eu não poderia não saber enfrentar esse ínfimo desvio de curso, essa dor vulgar. Eu pensei tanto em tudo isso, que as pessoas me perguntam de nós dois e pela primeira vez eu não tenho nem vontade de falar, porque parece que já cheguei a todas as conclusões, e que nem sofrer mais faz sentido. Nem reviver tudo vai fazer melhorar ou doer mais. Não há nenhum efeito ansiolítico nem mesmo em esperar naquilo que fomos. Tem pessoas me cercando e esperando só meu coração se sentir pronto pra amar. Tem pessoas à minha volta tentando me amar e eu não quero nem te contar isso. Tem pessoas querendo me emprestar o peito pra apoiar a dor que eu andei sentindo. E eu só quero sobreviver. E estou disposta a muito, muito mais do que isso.

sábado, junho 16, 2012

Reexistir

A arte pode se revestir de tantas formas aos nossos olhos, ouvidos, aos nossos sentidos. Viver é ressignificar diariamente o que recebemos do mundo. Vivemos em ciclos, e o que muda é a forma como recebemos e como respondemos aos estímulos que a vida nos dá. Se isso não é amadurecer eu não sei o que é. Não basta existir. É necessário reexistir. Hoje ouvi essa música, talvez, pela milésima vez. E ela conseguiu passar pelos meus ouvidos trazendo sensações e significados muito novos:

Eu acho que tenho certeza daquilo que eu quero agora
Daquilo que mando embora, daquilo que me demora
Eu acho que tenho certeza daquilo que me conforma
Daquilo que quero entender, e não acomodar com o que incomoda
Não acomodar com o que incomoda mais
E quando eu vou é quando eu acho que onde é que eu tô é pouco e tanto faz
Seja o que for, seja o que surge e some, seja o que consome mais
Seja o que consome mas... Faz
E a historia que nem passou por nós direito ainda, pra onde é que foi?
"Criado Mudo - O Teatro Mágico"